de Carlos Augusto de Araujo Jorge – 28/02/11
Sonhei contigo Ipanema
Senti seus ares
Vivi seus mares
Sonhei contigo Ipanema
Me vi tão livre
melhor sonho não tive
Sonhei contigo Ipanema.
Enquanto solto me atrevo
ao som das ondas embalar,
viagens, sabores, desejos,
certeza de um sempre encontrar.
Sonhei contigo Ipanema
sua gente, comparsas na lida,
com planos que buscam inventar
O novo, a grande pedida.
E deitada, convidas serena.
Sonhei contigo Ipanema
curti seus banhos a sós,
Dei boas vindas à lua,
E também vais ao sol.
Tranzei nos sonhos sem nós
e livre desenhei novas cenas
com corpos, sutis, qual sereia,
ondulados nas ondas do mar
Em orgasmos sujei-me d'areia
Sonhei contigo Ipanema.
Sonhei contigo Ipanema
Pra'lem dos corpos que vi,
vi outros, com rudeza e sem graças
só de músculos, num permanente ir e vir.
Vi senhoras, idosos, sorrisos
de quem surpreende e insiste em mostrar
que o belo antagoniza as traças
que o saudosismo vive a nos relembrar.
Sonhei contigo Ipanema
joguei vôlei, peteca, andei
dentre tantos que o sol encobria
tomei chope, sentei, conversei
Sonhei contigo Ipanema.
Como é bom ser igual todo tempo
como tal, não há riscos, tormentos.
Vida livre, sem pressa, morena.
Sonhei contigo Ipanema
Suor, areia, gente e chão
Por do sol, avermelhando o cenário
de encontros, desejos, paixão.
Poemas e cantigas insistem em dizer,
se ocupem do ócio e não tenham ilusão
Que fazer sempre é fácil, duro é o não fazer,
Ipanema só você: síntese, contradição.
Sonhei contigo Ipanema
acordei e já farto de ti
por na verdade, distante do sonho
novos gozos não me permiti.
Na inveja que a distância consente,
recolhido em prantos me vi
Ipanema inspiradora do Éden,
paraíso do tudo, sem início, sem fim.
